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Carcereiro revela xingamentos de Lula a ministros do STF: “FDP”

Informação consta em livro escrito por carcereiro do petista, que foi lançado na última terça-feira

Paulo Moura - 05/11/2026 08h43 | atualizado em 05/11/2026 11h42

Lula ao ser preso em Curitiba Foto: EFE/Marcelo Chello

Durante os 580 dias em que esteve preso na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, entre 2018 e 2019, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria feito xingamentos a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mas ao mesmo tempo elogiado o ministro Gilmar Mendes. Os relatos estão no livro Banho de Sol, escrito pelo carcereiro do petista e lançado na última terça-feira (3).

Segundo o autor do livro, o policial federal Jorge Chastalo Filho, responsável pela custódia do político durante o período, Lula demonstrava decepção e ressentimento com magistrados que, na época, participavam de decisões desfavoráveis à sua situação jurídica. Entre os principais alvos das críticas estavam Cármen Lúcia, Edson Fachin e Luiz Fux, todos indicados ao Supremo durante os governos petistas.

Um dos episódios narrados ocorreu em julho de 2018, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se preparava para decidir se Lula poderia concorrer à Presidência da República. De acordo com Chastalo, o então ex-presidente criticou Cármen Lúcia, que havia sido indicada por ele ao STF em 2006, e Edson Fachin, nome escolhido por Dilma Rousseff.

Ao falar sobre Cármen, Lula teria recordado uma conversa anterior à indicação, na qual a ministra teria mencionado a origem humilde e os ensinamentos recebidos do pai sobre gratidão. O petista teria afirmado que acreditou no discurso e se decepcionou com a postura posterior da magistrada.

– A Cármen é uma falsa humilde, Chastalo. Conhece esse tipo de gente? Em uma conversa comigo, para que eu a indicasse ao STF [em 2006], começou dizendo que seu primeiro brinquedo foi uma boneca de sabugo. E que seu pai tinha as mãos calejadas de trabalhar. E que aprendeu com seu pai que uma coisa muito importante na vida é a gratidão. E eu caí nessa! – teria dito Lula, segundo o livro.

Em outro momento, ainda de acordo com o relato, o petista afirmou:

– Agora está aí, insegura, fazendo m**** – completou.

Na mesma ocasião, Lula também teria criticado Edson Fachin, que integrava o TSE e participava das discussões sobre sua candidatura à Presidência. Segundo Chastalo, o petista reclamou da mudança de postura do ministro, que teria sido ligado a movimentos sociais antes de chegar ao Supremo.

– O [ministro Edson] Fachin foi a mesma coisa. Era ligado a movimentos sociais e agora está c****** pra eles – teria afirmado.

As críticas a Fachin ainda teriam sido intensificadas depois que o ministro retirou de pauta o julgamento de um habeas corpus apresentado pela defesa de Lula, que buscava sua libertação. O policial afirma que o petista questionou a indicação do magistrado e disse que não confiava nele quando ainda ocupava a Presidência.

– Esse Fachin é um f**** d* p*** mesmo, Chastalo. Eu não indiquei ele para o STF no meu mandato porque não confiava nele. Aí, a Dilma me liga um dia pedindo autorização para indicar. Eu apenas disse: “Agora é você quem decide, afinal, é você quem está na Presidência” – teria declarado.

CRÍTICAS A FUX, MAS ELOGIOS A GILMAR
O livro também relata a reação de Lula à decisão de Luiz Fux de suspender a autorização para que os jornais Folha de S.Paulo e El País o entrevistassem na prisão. A autorização havia sido concedida pelo então ministro Ricardo Lewandowski, mas foi derrubada por Fux.

Segundo Chastalo, Lula afirmou que Fux frequentava cerimônias durante seu governo e demonstrava interesse em conquistar uma vaga no Supremo, mas que nunca havia confiado nele. O petista também teria criticado Dilma por ter escolhido o magistrado, atribuindo a indicação a uma articulação que envolveu o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral.

– O Fux passou mais de um ano frequentando toda cerimônia quando eu era presidente, com cara de cachorro pidão [então ministro do Superior Tribunal de Justiça, Fux estava em campanha por uma vaga no STF]. Mas nunca confiei nele. Aí, veio a Dilma e acabou nomeando esse canalha, por indicação do [então ministro da Fazenda Antonio] Palocci e do [então governador do Rio de Janeiro] Sérgio Cabral – disse.

Apesar das críticas, alguns integrantes do STF teriam recebido avaliações positivas do petista. De acordo com o policial federal, Lula mencionou Gilmar Mendes e o agora ministro aposentado Celso de Mello como exceções entre os magistrados, por considerar que tinham coragem para tomar decisões mesmo diante de possíveis repercussões negativas.

Por outro lado, o petista teria usado a expressão chula “boi do c* branco” ao se referir aos outros integrantes da Suprema Corte. Ao ser perguntado pelo carcereiro sobre o significado da expressão, Lula teria dito que seria um termo usado “quando um touro é covarde e nem se dispõe a lutar pelo posto de reprodutor da manada” e que “muitos membros do STF” seriam assim.

– Não aguentam uma capa da [revista] Veja, então não decidem nada que possa ter repercussão negativa – teria enfatizado Lula.

RELAÇÃO DE LULA COM STF
Lula foi preso em abril de 2018, após ser condenado no processo do tríplex do Guarujá, no âmbito da Operação Lava Jato. Ele permaneceu na Superintendência da PF em Curitiba até novembro de 2019, quando foi solto após o STF alterar o entendimento sobre a possibilidade de prisão depois de condenação em segunda instância, estabelecendo que a execução da pena deveria ocorrer após o trânsito em julgado.

Em 2021, o Supremo também anulou as condenações de Lula relacionadas à Lava Jato em Curitiba, ao reconhecer a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar os casos. A Corte ainda declarou a suspeição do então juiz Sergio Moro no processo do tríplex.

Após vencer a eleição presidencial de 2022, Lula retomou a relação institucional com o Supremo. No atual mandato, passou a receber ministros da Corte no Palácio do Planalto, inclusive Edson Fachin, a quem fez xingamentos, segundo o livro. A assessoria de Lula e o STF foram procurados pela colunista Mônica Bergamo para comentar os relatos publicados no livro, mas não responderam.

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