RJ: Casos de antissemitismo são registrados em bar e delicatessen
Bar na Lapa recebeu multa de R$ 9.520 pela conduta
Paulo Moura - 05/04/2026 07h53 | atualizado em 06/04/2026 15h11

Dois casos de antissemitismo foram registrados nos últimos dias em estabelecimentos comerciais no Rio de Janeiro. O primeiro deles ocorreu na última sexta-feira (3), na delicatessen Delly Gil, na Cobal do Leblon, Zona Sul da cidade. Já o segundo, e que gerou maior repercussão, foi registrado no bar Partisan, na Lapa, Zona Central da capital fluminense.
No caso do Leblon, a chef Monique Benoliel, que é judia, perguntou por qual razão o local não estava vendendo matzá, pão sem fermento tradicionalmente consumido durante o período da Páscoa. De acordo com ela, o próprio dono do estabelecimento respondeu em voz alta que não trabalhava mais com judeus e que eles eram “miseráveis”.
– Não trabalho mais com judeu, judeu é miserável. Tem uma mulher que vem aqui reclamar do arenque – teria dito o proprietário da delicatessen.
Após a repercussão, a Delly Gil não respondeu aos contatos da imprensa, mas publicou uma nota nas redes sociais lamentando o episódio.
– Queremos esclarecer, de forma sincera, que não compactuamos com qualquer forma de desrespeito ou preconceito. Se alguma fala ou situação foi interpretada de maneira inadequada, pedimos desculpas. Não é essa a forma como conduzimos nossa relação com clientes ao longo de todos esses anos – dizia a mensagem postada pela delicatessen.
A Fierj informou que notificou extrajudicialmente a loja e deu prazo de três dias para que o estabelecimento apresente uma manifestação formal. A entidade também informou que acompanhará a vítima à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), onde o caso será registrado.
– Não são casos isolados. Ambos aconteceram em regiões distintas do Rio e no período de Pessach. Críticas às guerras são legítimas, mas não é isso que essas ações representam – afirmou o presidente da Fierj, Bruno Feigelson.
Monique também reforçou que registraria a queixa-crime pelo ocorrido.
– Sou a favor do amor. O ódio não faz parte de mim. Tenho orgulho de ser judia e, enquanto for viva, não vou permitir que falem mal de judeus – disse.
O segundo caso aconteceu na Lapa. O bar Partisan, que se apresenta nas redes sociais como um “ambiente antifascista”, instalou uma placa na entrada do estabelecimento com uma frase, em inglês, que dizia: “Cidadãos dos Estados Unidos e de Israel não são bem-vindos”. A denúncia foi recebida pelo vereador Pedro Duarte (PSD), que acionou a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor.
– É fundamental agir rapidamente para que as pessoas não normalizem esse tipo de ocorrência. São casos que chocam, são graves, e não podemos deixar que evoluam para violências maiores – disse o parlamentar, que é presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara de Vereadores
Quem também recebeu denúncias sobre o ocorrido foi o vereador Flávio Valle (PSD), presidente da frente parlamentar de combate ao antissemitismo da Câmara Municipal do Rio. Segundo ele, foi encaminhado um ofício ao secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, pedindo a cassação do alvará de funcionamento do bar Partisan. Flávio informou ainda que uma queixa formal será apresentada na delegacia.
– É inadmissível, em 2026, um estabelecimento proibir a entrada ou atendimento de pessoas por sua origem ou crença. Seguiremos com todas as medidas legais necessárias – apontou.
Ver essa foto no Instagram
Após a repercussão do caso, o Procon Carioca aplicou neste sábado (4) uma multa de R$ 9.520 ao Partisan. Segundo a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor, a placa exposta pelo bar configura restrição de acesso com base na nacionalidade e viola o Código de Defesa do Consumidor.
Em nota, o órgão afirmou que a recusa de atendimento sem justificativa legítima é considerada prática abusiva e que relações de consumo devem ser pautadas pelo respeito à dignidade, independentemente da origem dos clientes.
O bar Partisan não se pronunciou publicamente sobre o caso.
Leia também1 Flávio pede "racionalidade" após Eduardo criticar Nikolas no X
2 Jornalista da Globo é acusada de fazer comentário racista ao vivo
3 Zizi diz que conversão fez bem à filha Luiza Possi: "Mais serena"
4 Prudêncio é aposta de Celina Leão para renovação do DF na Câmara
5 Designer viraliza ao colocar Neymar na campanha da Lego



















