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Jornalista é absolvida em ação por injúria contra Laura Bolsonaro

Barbara Gancia teve decisão favorável após ser condenada em primeira instância

Paulo Moura - 27/07/2026 08h36 | atualizado em 28/07/2026 12h12

Barbara Gancia Foto: Reprodução/TV Globo

A jornalista Barbara Gancia foi absolvida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) da condenação por injúria contra Laura Bolsonaro, filha mais nova do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão, tomada em segunda instância, reformou a sentença de primeiro grau proferida em dezembro do ano passado.

O relator do caso, desembargador Pinheiro Franco, da 5ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP, entendeu não haver elementos suficientes para comprovar que Gancia teve a intenção de injuriar Laura Bolsonaro ao publicar uma mensagem nas redes sociais em 2022.

Na ocasião, a jornalista escreveu: “Pra bolsonarista imbrochável feito o nosso presidente, quando a filha do Bolsonaro se arruma, ela parece uma p***”.

A publicação fazia referência a uma declaração feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro sobre adolescentes venezuelanas em 2022.

– Parei a moto numa esquina, tirei o capacete e olhei umas menininhas, três, quatro, bonitas; de 14, 15 anos, arrumadinhas num sábado numa comunidade. E vi que eram meio parecidas. Pintou um clima, voltei, “posso entrar na tua casa?” Entrei. Tinha umas 15, 20 meninas, sábado de manhã, se arrumando — todas venezuelanas. E eu pergunto: meninas bonitinhas, 14, 15 anos se arrumando num sábado para quê? Ganhar a vida – disse o ex-presidente na época.

Durante o processo, Barbara Gancia sustentou que sua manifestação não tinha como objetivo atingir a honra de Laura Bolsonaro, mas criticar a lógica que, segundo ela, teria sido utilizada pelo ex-presidente ao associar adolescentes arrumadas à prostituição.

Ao votar pela absolvição, o relator concordou com o argumento e considerou que a jornalista utilizou a mesma lógica atribuída a Bolsonaro para fazer uma crítica política e que a conduta seria protegida pela liberdade de expressão.

A defesa de Laura Bolsonaro, por outro lado, argumentou que a publicação atingiu a dignidade da filha do ex-presidente e defendeu o aumento da pena por se tratar de manifestação divulgada pela internet.

Com a decisão, foi revertida a condenação imposta em primeira instância, que determinava o pagamento de indenização de R$ 10 mil e multa correspondente a dez salários mínimos, em substituição à pena de três meses e 30 dias de detenção. Também participaram do julgamento os desembargadores Mauricio Henrique Guimarães Pereira e João Augusto Garcia.

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