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Deputadas criticam Erika Hilton para Comissão da Mulher

Parlamentares alegam que uma pessoa transgênero não conhece a realidade e as dores das mulheres

Kleber Pizão - 11/03/2026 16h13 | atualizado em 11/03/2026 17h55

Erika Hilton Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A deputada federal transgênero Erika Hilton (PSOL-SP) foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher nesta quarta-feira (11). Parlamentares mulheres lamentaram a escolha de Erika, indicada pelo próprio partido para substituir a atual líder do colegiado, a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG).

A deputada federal Greyce Elias (Avante-MG), titular da comissão, destacou que a crítica não diz respeito a excluir pessoas, mas sim a defender o direito das mulheres.

– Como titular da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, reafirmo: esse espaço existe para defender as mulheres brasileiras. A comissão nasceu para enfrentar problemas reais que atingem milhões de mulheres no nosso país: violência doméstica, feminicídio, saúde, desigualdade salarial e proteção à maternidade. Foram anos de luta para que as mulheres tivessem voz dentro do Parlamento. Por isso, pedimos respeito a esse espaço que foi conquistado para representar quem vive esses desafios na vida real. Não é sobre excluir ninguém. É sobre garantir que a voz das mulheres seja respeitada e preservada – ressaltou Greyce.

A deputada federal Rosângela Moro (União Brasil-PR) acredita que o cargo deveria ser ocupado por uma mulher, de fato.

– Não se trata de discutir a pessoa. Se trata de discutir para que serve a Comissão das Mulheres. Muitos dos assuntos que tratamos são biologicamente de mulheres, como gestação, violência obstétrica, câncer de colo de útero e endometriose – defendeu Moro.

A deputada federal Delegada Ione (Avante-MG) criticou a divergência de pautas a serem discutidas.

– Para lembrar das transexuais, estão esquecendo das mulheres. Para incluir um segmento da sociedade, estão excluindo outro (…) qual a legitimidade da deputada Erika Hilton para debater sobre menstruar? Com que autoridade poderá presidir debates sobre dificuldades de ser mãe no Brasil? – questionou.

A deputada estadual Mara Lima (Republicanos-PR) defendeu que a escolha de uma mulher trans não representa a realidade feminina.

– Quem assume uma comissão dessa importância precisa ter conhecimento de causa. E isso tem que ser uma mulher que vive essas situações, como gravidez, ciclo menstrual e violência doméstica (…) a mulher luta tanto para conquistar espaço e acaba perdendo para um homem que biologicamente é homem – destacou.

A deputada federal Clarissa Tercio (Progressistas-PE) falou em lutar para ocupar os espaços que são das mulheres biológicas. A deputada estadual Chris Tonietto (PL-RJ) fez um protesto diferente: ela publicou um vídeo nas redes sociais reagindo em silêncio a uma publicação sobre a possibilidade de Hilton assumir o cargo, alegando ser uma orientação de seu advogado.

Erika Hilton (PSOL-SP) foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher com 11 votos. Dez congressistas votaram em branco. A vice-presidente da comissão será a deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ).

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher é uma estrutura importante que defende as pautas das mulheres, mas a presença feminina ainda é minoria no Congresso Nacional. São 93 deputadas e duas senadoras, o equivalente a 18% de todo o Parlamento.

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