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Conselho de Ética dá seguimento a ação que pode cassar Hilton

Deputada é acusada de quebra de decoro parlamentar após fala com termo "imbeCIS"

Thamirys Andrade - 11/08/2026 15h37 | atualizado em 11/08/2026 17h18

Erika Hilton Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Em decisão tomada nesta terça-feira (11), o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade do processo que apura suposta quebra de decoro parlamentar por parte da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). A ação pode resultar na cassação do mandato da congressista.

O processo mira declarações feitas por Hilton em março, quando foi escolhida para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.

Na ocasião, a deputada transexual recebeu críticas por ocupar o posto, e as rebateu usando o termo “imbeCIS”. A palavra é uma referência pejorativa a mulheres cisgênero, ou seja, que estão em conformidade com seu sexo de nascimento.

– Não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa – disse Erika, pelas redes sociais, na ocasião.

Como resultado, o partido Missão apresentou uma denúncia no Conselho de Ética apontando possível quebra de decoro parlamentar. A legenda apontou possível misoginia, citando ainda outro trecho da fala da deputada, no qual ela afirmou: “Podem espernear. Podem latir”.

Relator da ação, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) deu parecer favorável à admissibilidade do processo. Por 10 votos a 5, o entendimento de Silva foi ratificado pelo colegiado nesta terça, aprovando assim a continuidade da ação.

Hilton chegou a pedir a suspeição do relator, apontando que ele é autor de um projeto que prevê que a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher seja presidida exclusivamente por mulheres cisgênero. Entretanto, o presidente do Conselho de Ética, Fábio Schiochet (União Brasil-SC), negou o pedido.

Com a aprovação da abertura do processo, Erika Hilton terá dez dias para apresentar sua defesa por escrito.

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