Bolsa Família: Míriam Leitão cita diferenças entre Lula e Bolsonaro
Jornalista publicou artigo nesta quinta-feira
Ana Luiza Menezes - 17/09/2026 19h56 | atualizado em 18/09/2026 11h54

A jornalista Míriam Leitão defendeu que existem muitas diferenças entre o aumento do Bolsa Família de Lula (PT) e o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A análise consta na coluna dela no jornal O Globo desta quinta-feira (17), mesma data em que o petista anunciou um reajuste de 15% no valor do programa.
A decisão de Lula sobre o Bolsa Família ocorre a pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições. O valor não foi declarado na proposta de orçamento de 2027 enviada há duas semanas ao Congresso Nacional.
– A grande semelhança entre o aumento do Bolsa Família feito agora por Lula e o decretado por Bolsonaro em 2022 é que ambos anunciaram o reajuste no benefício no período eleitoral. E, claro, os dois o fizeram por interesse eleitoral. O aumento de Lula, no entanto, foi apenas um reajuste pela inflação dos quatro anos passados. Desde que foi relançado, em 2023, até agora, o valor era o mesmo: R$ 600, sem reajuste. Agora subiu 15%, o que cobre a inflação do período. O de Bolsonaro foi de 50% de aumento, um salto que criou um choque de custos no programa. Era R$ 400 e foi para R$ 600 – escreveu a jornalista.
Ainda segundo Leitão, o aumento do petista é definitivo.
– O aumento de Lula é definitivo. O de Bolsonaro foi anunciado com data para acabar ao fim do período eleitoral. Bolsonaro nem colocou o valor no orçamento de 2023. O orçamento que fez registrava R$ 400 para 2023. O novo valor teve que ser garantido pela emenda da transição negociada por Lula. Bolsonaro sempre criticou o Bolsa Família e ameaçava acabar com o programa. Manteve porque não teve condições políticas de acabar com o benefício, então trocou de nome para Auxílio Brasil para tentar se apropriar do programa e, dois meses antes da eleição, deu esse aumento extravagante. Vamos combinar que um aumento de 50% produz um choque de custos de grandes proporções – apontou
A articulista concluiu afirmando que “o único aumento linear foi este de agora”.
– Durante este terceiro mandato, Lula apenas agregou alguns benefícios ao valor básico, dependendo da situação familiar. Mas o único aumento linear foi este de agora. Poderia ter feito mais cedo? Sim, poderia. Mas o reajuste é razoável, ainda que ele o tenha anunciado num contexto eleitoral.
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