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Após fala de Lula, Paraguai pede devolução de canhões de guerra

País vizinho também propôs a devolução de documentos e outros troféus da Guerra do Paraguai

Paulo Moura - 31/07/2026 21h20

Lula Foto: EFE/Andre Borges

O governo do Paraguai entregou uma nota de “rejeição” ao embaixador brasileiro em Assunção, José Marcondes, após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra do Paraguai. No documento, é proposta a devolução de troféus de guerra, canhões e documentos relacionados ao conflito ocorrido no século XIX.

A nota foi entregue pelo vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana, e pelo chanceler Rubén Ramírez Lezcano. Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai, o governo considera que as declarações de Lula distorceram episódios históricos considerados de grande relevância para o país.

O episódio teve origem em um discurso feito por Lula na última sexta-feira (24), em Jacareí (SP). Ao defender investimentos na área de defesa, o presidente afirmou que o Brasil é um país que gosta de paz, mas que não poderia esquecer a Guerra do Paraguai, quando, nas palavras do petista, o país vizinho “resolveu invadir o Brasil”.

– A gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina e aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos

No encontro desta sexta, os representantes paraguaios afirmaram que Brasil e Paraguai são países “irmãos” e apresentaram propostas que, segundo eles, poderiam contribuir para “fechar definitivamente as feridas” deixadas pelo conflito. Entre os pedidos feitos estão a devolução dos canhões Presidente López e El Cristiano, além de outros troféus de guerra e documentos relacionados ao conflito.

– O governo do Paraguai entregou [no encontro com o embaixador] uma nota na qual expressou seu desagrado e seu absoluto repúdio às recentes declarações do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva sobre episódios da Guerra da Tríplice Aliança – diz um trecho do comunicado.

Ainda segundo o governo paraguaio, os acontecimentos que marcaram a história dos dois países devem ser tratados “com responsabilidades, respeito recíproco e espírito de reconciliação”.

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