Eleitor troca número de Flávio e Tarcísio e anula 306 mil votos
Proximidade entre os políticos pode ter gerado a confusão na hora do voto
Pleno.News - 08/10/2026 17h56 | atualizado em 08/10/2026 19h10

Nas eleições de 2026, pelo menos 105 mil votos foram anulados na disputa pelo governo de São Paulo após eleitores digitarem o número 22, usado pelo Partido Liberal (PL). O dado considera apenas registros da capital paulista e consta nos Registros Digitais de Voto (RDVs) disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O número 22 foi utilizado pelo PL, partido de Flávio Bolsonaro, na disputa presidencial. Já no pleito pelo governo paulista, Tarcísio de Freitas concorreu pelo Republicanos e foi reeleito no primeiro turno, com 62,65% dos votos.
Na eleição para presidente, a situação se inverteu. Mais de 231 mil eleitores digitaram o número 10, usado pelo Republicanos. Como a legenda não apresentou candidato ao Palácio do Planalto, esses votos foram registrados como nulos.
A proximidade política entre Tarcísio e Flávio pode levantar a possibilidade de que eleitores tenham confundido os números das duas legendas. Os registros, porém, não permitem afirmar que isso tenha ocorrido nem identificar a intenção de quem votou.
Os RDVs mostram apenas os números digitados para cada cargo. Por isso, não é possível saber se uma pessoa que digitou 10 para presidente também foi responsável por um voto com o número 22 para governador.
Somados, os dois registros representam pelo menos 336 mil votos anulados. O levantamento considera mais de 231 mil ocorrências do número 10 na eleição presidencial e mais de 105 mil do número 22 na disputa pelo governo paulista.
OUTROS VOTOS NULOS
Na disputa presidencial, outros números ligados a partidos e candidatos de eleições anteriores também apareceram nos registros. O número 12, usado pelo PDT nas campanhas de Ciro Gomes em 2018 e 2022, foi digitado cerca de 164 mil vezes.
O número 44, do União Brasil, apareceu aproximadamente 114 mil vezes. Já o 45, usado pelo PSDB e associado à candidatura de Aécio Neves à Presidência em 2014, foi registrado cerca de 95 mil vezes.
No primeiro turno, cerca de 3,6 milhões de votos para presidente foram anulados, o equivalente a 2,93% do total. Na eleição para governador de São Paulo, foram aproximadamente 1,9 milhão de votos nulos, ou 7,26%.
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