SP: Tarcísio demite Delegado da Cunha da Polícia Civil
Governador acatou sugestão da corregedoria da corporação
Kleber Pizão - 03/09/2026 16h14 | atualizado em 03/09/2026 17h30

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), demitiu o deputado federal Delegado da Cunha (União Brasil-SP) da Polícia Civil. A decisão põe fim a um processo administrativo aberto contra ele em 2020.
Na ocasião, o delegado Carlos Alberto da Cunha, que ainda não era parlamentar, forjou a cena de um sequestro para publicar em suas redes sociais. Ele levou o criminoso, considerado um dos chefes do PCC, e a vítima de volta ao cativeiro para encenar o resgate.
A Corregedoria da Polícia Civil considerou que Da Cunha cometeu abuso de autoridade e expôs a vítima a constrangimento ilegal. Ele teria chegado ao local da ocorrência após os colegas terem estourado o cativeiro.
Tarcísio acatou a sugestão da corporação para que ele fosse desligado. A medida ocorre a bem do serviço público, conforme previsto no estatuto da Polícia Civil. O caso estava aguardando a decisão desde 2022, ainda sob a gestão estadual de Rodrigo Garcia.
A lei não estabelece um prazo máximo para a definição da pena por parte do governador, mas a pretensão punitiva pode prescrever caso a sentença não seja estabelecida em até cinco anos. A legislação paulista prevê que a demissão de delegados cabe exclusivamente ao chefe do Executivo.
Em vídeo publicado posteriormente, o agora ex-delegado afirma que a cena foi gravada como uma “reprodução simulada dos fatos”. Ele disse que a medida tinha por objetivo alertar a população.
— Existe uma prova chamada “reprodução simulada dos fatos” e essa prova é produzida pelo delegado de polícia. Foi uma decisão minha no momento. A cana foi dada e quis novamente registrar a cana. (…) O que nós queríamos é que a população do Brasil entendesse o que é um tribunal do crime — revelou.
Esse tipo de procedimento, geralmente, é realizado após algum tempo do início da investigação e serve para ajudar na elucidação do caso. No entanto, o Código de Processo Penal não impõe um intervalo mínimo para que ela seja realizada.
ACUSAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Da Cunha também responde a um processo de violência doméstica contra a ex-companheira Betina Grusiecki. Ele foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por lesão corporal, ameaça e dano qualificado.
A vítima declarou à Justiça que o policial teria batido a cabeça dela contra a parede e tentado sufocá-la. Ele se tornou réu no processo em outubro de 2023. O julgamento do caso ainda não foi marcado.
QUEM É DELEGADO DA CUNHA?
Além de servidor público, Carlos Alberto da Cunha é influenciador e se identifica nas redes e no YouTube apenas com o seu nome funcional da corporação. Ele posta vídeos sobre ações policiais desde 2020.
Na plataforma de vídeos, o ex-policial possui 3,5 milhões de inscritos, enquanto no Instagram, Da Cunha possui 1,8 milhão de seguidores.
Ele foi eleito deputado federal pelo estado em 2022, com 181.568 votos, e tenta a reeleição no pleito deste ano.
Desde que assumiu o cargo, Da Cunha foi afastado das funções na polícia e deixou de receber seu salário como delegado. Ele se transferiu do Progressistas para o União Brasil em abril deste ano.
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