Pastor é detido durante culto e denuncia intolerância religiosa
Líder religioso foi levado para delegacia após denúncia de perturbação de sossego
Paulo Moura - 18/07/2026 17h57 | atualizado em 20/07/2026 11h35

O pastor evangélico Leonardo Silva foi algemado e levado a uma delegacia após questionar a conduta de policiais militares durante uma abordagem em meio a um culto na noite da última terça-feira (14) em Cajazeiras, no Sertão da Paraíba.
De acordo com o pastor, duas viaturas da Polícia Militar (PM) chegaram ao templo após uma denúncia de perturbação do sossego. Ele disse que interrompeu a pregação e foi conversar com os policiais. Segundo o líder religioso, o volume do som do culto foi reduzido.
Foi nesse momento que, segundo Leonardo Silva, uma fiel comentou que, se fosse um “paredão com músicas mundanas”, não haveria reclamação. Ainda conforme o relato, um dos policiais respondeu à mulher com a frase: “Saia daqui, Satanás”. Ao intervir em defesa da fiel, o pastor afirma que questionou a atitude do agente e acabou sendo algemado.
– Aí, eu perguntei qual o motivo de eu estar sendo preso. Disse: “Se o senhor quiser me prender, pode me prender, mas eu não estou fazendo nada”. Nessa hora, ele puxou a minha mão para trás e colocou uma algema – relatou.
Leonardo Silva foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Cajazeiras e liberado em seguida. O comandante da PM na cidade, coronel Hugo, afirmou que o Comando-Geral acompanha o caso e disse que o pastor foi conduzido à delegacia por crime de poluição sonora.
– O comandante-geral já se manifestou sobre o caso, mas adianto que o referido pastor cometeu um crime de poluição sonora. A ocorrência foi feita como deveria ter sido, conduzimos vítima e acusado à delegacia – declarou.
Após a repercussão do caso, a Associação de Pastores Evangélicos da Paraíba (APEP) e a Ordem dos Ministros Evangélicos do Brasil – Seção Paraíba (OMEBE-PB) divulgaram uma nota pública em que manifestam “veemente repúdio” ao que classificam como um episódio de aparente truculência policial, abuso de autoridade e intolerância religiosa.
As entidades afirmam reconhecer a importância do trabalho da Polícia Militar da Paraíba e destacam que as igrejas devem respeitar normas como a Lei do Silêncio, mas sustentam que a fiscalização não pode justificar atitudes desproporcionais.
Na nota, a APEP e a OMEBE afirmam ser “inadmissível” que uma ocorrência motivada por uma denúncia de som alto, que, segundo elas, já havia sido resolvida no local, tenha terminado com a condução do pastor algemado à delegacia.
– É inadmissível que uma guarnição policial, acionada para averiguar uma queixa de som alto — problema que já havia sido pacificamente resolvido no local —, seja hostil aos membros da congregação e utilize força física e algemas contra um líder religioso que apenas tentava apaziguar a situação e defender a dignidade dos presentes.
As entidades também citaram os artigos 5° e 19 da Constituição Federal, que garantem a liberdade religiosa e vedam ao Estado embaraçar o funcionamento de cultos, além do artigo 208 do Código Penal, que tipifica como crime impedir ou perturbar cerimônias religiosas. Ao final, a APEP e a OMEBE manifestaram solidariedade ao pastor Leonardo Silva e à igreja, além de cobrarem uma apuração célere dos fatos.
– Exigimos das autoridades competentes, em especial da Corregedoria da Polícia Militar do Estado da Paraíba, a célere e rigorosa apuração dos fatos e a responsabilização dos agentes envolvidos, para que o direito constitucional ao culto seja sempre respeitado em nosso Estado – completaram.
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