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Orelha: Polícia conclui que só um adolescente agrediu cachorro

Polícia solicitou à Justiça a internação provisória do adolescente apontado como autor das agressões

Paulo Moura - 04/02/2026 07h53 | atualizado em 04/02/2026 10h13

Adolescente apontado como agressor do cachorro Orelha Foto: Reprodução/Polícia Civil SC

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito que apurava a morte do cão comunitário Orelha e a tentativa de afogamento do cachorro Caramelo, episódios registrados na Praia Brava, em Florianópolis (SC). No caso de Orelha, um adolescente foi apontado como autor direto das agressões que levaram à morte do animal e a polícia solicitou à Justiça a internação provisória dele.

Segundo os investigadores, o adolescente em questão era um dos que estavam fora do Brasil durante parte das apurações, o que exigiu estratégias específicas para evitar fuga e eliminação de provas. De acordo com o delegado Renan Balbino, o adolescente apresentou contradições relevantes ao longo dos depoimentos e deixou de relatar informações consideradas essenciais para o esclarecimento do crime.

– Em diversos momentos, ele se contradisse e omitiu fatos importantes para a investigação – afirmou o delegado.

A defesa do jovem contestou as conclusões policiais e declarou, em nota, que as “informações que vieram a público dizem respeito a elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas”.

Os exames da Polícia Científica apontaram que Orelha sofreu um impacto contundente na cabeça, compatível com chute ou golpe desferido com objeto rígido, como madeira ou garrafa. O ataque ocorreu na madrugada de 4 de janeiro, e o animal morreu no dia seguinte, mesmo após ter sido socorrido por moradores da região da Praia Brava.

Cão comunitário há cerca de 10 anos, Orelha era conhecido por seu comportamento dócil e pela convivência próxima com moradores e turistas. Ele vivia na Praia Brava, onde três cães são considerados mascotes locais e contam com cuidados da comunidade.

A investigação ouviu 24 testemunhas, analisou a conduta de oito adolescentes suspeitos e examinou mais de mil horas de imagens, captadas por 14 câmeras de monitoramento. Também foi utilizado um software estrangeiro de geolocalização, além do cruzamento de depoimentos.

Segundo os investigadores, imagens mostraram o adolescente deixando um condomínio por volta das 5h25 da manhã e retornando cerca de meia hora depois, acompanhado de uma jovem. Em depoimento, ele afirmou que não teria saído do local, o que foi desmentido pelas gravações, por testemunhas e por outros elementos reunidos pela polícia.

A apuração também levou à apreensão de roupas usadas pelo adolescente no dia do fato. Durante abordagem no aeroporto, a polícia observou comportamento suspeito de um familiar, que tentou ocultar um boné em sua bolsa. Além disso, o mesmo familiar disse que um moletom teria sido adquirido na viagem aos Estados Unidos.

As peças, porém, foram comparadas com a imagens que a investigação tinha do jovem e foi possível identificar a roupa usada no dia das agressões. Além do adolescente apontado como agressor, três adultos foram indiciados por coação, em decorrência de condutas praticadas durante o curso das investigações.

Em relação ao cachorro Caramelo, a Polícia Civil concluiu que quatro adolescentes participaram da tentativa de afogamento do animal. Todos foram representados por ato infracional análogo a maus-tratos. Por força do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), informações como nomes, idades e localizações dos envolvidos permanecem sob sigilo absoluto.

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