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Após morte no TO, advogada pede fim da lei de alienação parental

Vanessa Paiva fala sobre casos de mães que não podem impedir os filhos de conviverem com seus agressores

Leiliane Lopes - 06/08/2026 15h09 | atualizado em 06/08/2026 16h45

Advogada Vanessa Paiva e Gustavo Veloso, morto pelo próprio pai Fotos: Reprodução Instagram

A advogada Vanessa Paiva, especialista em Direito de Família, defendeu a aprovação do Projeto de Lei 2.812/2022, que revoga a Lei de Alienação Parental. A manifestação ocorreu após a divulgação de novos detalhes da investigação sobre a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, em Palmas (TO).

Segundo a advogada, a legislação tem sido usada contra mães que tentam impedir o contato dos filhos com pais acusados de violência. No caso de Gustavo, havia disputas judiciais envolvendo guarda e pensão, além de registros de ameaças que, segundo a mãe, foram feitas pelo pai.

– A gente precisa revogar a lei da alienação parental pra ontem. As crianças estão morrendo na mão dos genitores. Porque se a mãe não entrega, a mãe é alienadora e a justiça tem sangue nas mãos no caso desse menino Gustavo. O menino chorando, falando que não quer ir com o pai, porque o pai bate. E a mãe tendo que entregar, porque se não, se não ia caracterizar a maldita alienação parental. Juízes, promotores, psicólogos do judiciário, assistente social do judiciário, advogados de genitores, vocês têm sangue nas mãos – disse ela.

E continuou:

– Esse vídeo mostra o menino Gustavo momentos antes de ir para a casa do pai no domingo. Ele dizia para a mãe que não queria ir. “Mas por que você não gosta de ver o seu pai?” “Por que ele me bate?” Advogados da mãe afirmam que ela não poderia privar a criança da convivência com o pai para não caracterizar alienação. Essa criança foi agredida, foi abusada violentamente. O laudo necroscópico saiu dizendo que essa criança perdeu a vida em situações de crueldade.

Vanessa Paiva disse que tem casos no seu escritório de mães que são orientadas a “pisar em ovos” para não serem acusadas do crime de alienação parental e são obrigadas pela Justiça a entregarem seus filhos aos seus genitores.

O Projeto de Lei 2.812/2022 foi apresentado pelas deputadas Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Vivi Reis (PSOL-PA). A proposta revoga integralmente a Lei de Alienação Parental, alvo de críticas de entidades de defesa da infância, que apontam o uso da norma por pais acusados de violência para manter a convivência com os filhos. O texto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em dezembro de 2025, mas segue parado na Câmara dos Deputados.

Gustavo morreu na última segunda-feira (3). O pai, Igor Gustavo Veloso de Souza, de 33 anos, e a companheira dele, Kathellen Moreira, de 23 anos, são investigados pelo crime. O Instituto Médico Legal (IML) concluiu que a criança sofreu múltiplas agressões, com lesões em diferentes partes do corpo.

Também nesta quinta (6), o delegado Eduardo Meneses afirmou que as lesões na região anal e intestinal foram provocadas em um contexto de violência extrema e usadas como instrumento de tortura.

– O que a gente entendeu é que essas lacerações no ânus e no intestino fazem parte desse contexto de forte agressão. Então, foi um instrumento de meio de tortura.

O delegado acrescentou que a hipótese de violência sexual ainda não foi totalmente descartada e que a tipificação dos crimes poderá ser alterada após a conclusão das perícias.

– Se no laudo cadavérico houvesse apenas as lesões anais e intestinais, nós estaríamos diante de um crime de estupro seguido de morte. Como há, somado a essas lesões, lesões na cabeça e hemorragia interna, a gente afastou inicialmente a ocorrência de uma relação sexual – revelou o delegado durante coletiva de imprensa.

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