Ministro sobre sessão desta terça: “Pior dia da história do STF”
Além de não responder às dúvidas sobre Moraes, tribunal sofreu ainda mais desgaste
Thamirys Andrade - 16/09/2026 12h30 | atualizado em 16/09/2026 13h59

“O pior dia da história do Supremo”. É dessa forma que um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) descreveu a sessão desta terça-feira (15), data em que a Corte iniciou o julgamento sobre o ministro Alexandre de Moraes e sua proximidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na avaliação do interlocutor consultado pelo colunista Matheus Lietão, do portal Metrópoles, sob reserva, além de não responder às duvidas que pesam sobre Moraes, o tribunal ficou ainda mais exposto às críticas da sociedade.
O ministro que fez a análise é estudioso da trajetória do STF e revê os julgamentos do tribunal e seus momentos mais marcantes, até mesmo aqueles ocorridos no século passado. Para ele, esta terça entrou para a história como o capítulo mais triste da Corte.
Segundo um “profundo conhecedor do Supremo” ouvido por Cruz, a ala de magistrados ligados a Moraes acredita que saiu vitoriosa da sessão, mas na verdade, trata-se de uma vitória de Pirro, ou seja, uma conquista obtida a um custo tão alto que se equivale a uma derrota.
Já segundo apuração do jornalista Valdo Cruz, da GloboNews, o clima no STF após a sessão é de “ressaca” devido às agressões verbais trocadas no julgamento. Para membros do tribunal, o caso é no mínimo “vergonhoso”.
Na avaliação desses integrantes, em vez de contribuir para melhorar a imagem da Corte perante à população, a reunião acabou por piorá-la já em um contexto de imenso desgaste. Entre eles, já havia a previsão de que a sessão seria tensa, mas, por fim, acabou sendo ainda pior que o esperado.
A sessão desta terça-feira teve como objetivo decidir se Moraes será investigado por sua ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Apurações da Polícia Federal (PF) mostram troca de mensagens temporárias, em que o empresário pediu proteção e orientações ao ministro, enquanto mantinha um contrato de R$ 131 milhões com o escritório de advocacia da esposa do magistrado, Barci de Moraes.
Entretanto, a Corte sequer chegou a entrar no mérito da questão e se ateve a atritos entre os magistrados e uma questão de ordem sobre unir ou não o julgamento sobre Mendonça ao de Moraes. O placar ficou em 4 a 3 e foi suspenso após um pedido de vista por parte do ministro Flávio Dino.
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