Após mortes, governo suspende vacina da dengue do Butantan
Até o momento, foram 500 mil aplicações com 42 reações graves, resultando em duas mortes
Kleber Pizão - 08/06/2026 16h07 | atualizado em 08/06/2026 18h43

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão da aplicação das vacinas contra a dengue desenvolvidas pelo Instituto Butantan. A medida ocorre por segurança, após a identificação de 42 casos de reações graves, possivelmente ligadas ao imunizante. Duas mortes estão sob investigação.
A declaração ocorreu em uma coletiva de imprensa com o ministro Alexandre Padilha, representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o diretor do Instituto Butantan. Segundo Padilha, a proporção de reações é de 8 casos para cada 100 mil aplicações, o que é suficiente para suspender a estratégia adotada.
— Nós tivemos três casos graves, desses, dois óbitos, sem, até esse momento, nas investigações já feitas pelos sistemas municipais, de vigilância estadual, escutando os especialistas, ter dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência — declarou.
Segundo o ministro, as reações foram inesperadas, pois não foram constatadas nos diversos testes realizados tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
De acordo com a pasta, 500 mil doses da vacina foram aplicadas até o momento. O imunizante tem sido distribuído para profissionais da atenção primária à saúde, além de moradores dos municípios de Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Araguaína (TO).
Padilha orientou que as pessoas que tenham tomado a vacina nas últimas semanas devem observar possíveis reações, procurar atendimento e se informar sobre a aplicação do imunizante.
— Quem tomou a vacina nos últimos 21 dias, tanto as pessoas quanto as unidades, devem ter um acompanhamento especial para identificar se desencadearam ou não alguns desses sinais de alerta para dengue ou qualquer outra reação adversa à vacina, para que a gente possa registrar e conduzir da melhor forma possível — disse o ministro da Saúde.
O ministro defendeu o imunizante e apresentou dados no combate à dengue, apesar das reações adversas.
— Tivemos redução de 97% de óbitos e 92% de casos se comparado a 2024, e a gente reforça para as pessoas que tomaram a vacina de que elas estão protegidas. Os dados de eficácia mostram que ela protege contra os quatro tipos de dengue — afirmou.
A medida das autoridades é temporária e todo o estoque dos imunizantes permanecerá alocado nas unidades de saúde enquanto os estudos forem realizados.
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